Quando eu era mais novo costumávamos ir nos feriados, e principalmente nas férias escolares, para a cidade do interior onde minha mãe foi criada.
Meu tio tem um sítio muito bonito lá e sempre que tínhamos uma chance era neste sítio que ficávamos hospedados. Apesar de fazer muito tempo que não visito o lugar, tenho ótimas lembranças que vou guardar pra vida toda.
Estas lembranças incluem as pescarias na lagoa do sítio. Era simplesmente fantástico, nada me divertia mais do que aquilo. Ficar a tarde inteira pescando, enchendo o balde de lambaris, tilápias e com um pouco de sorte, fisgar uma traíra ou um piau. Havia muito peixe ali. Era quase impossível alguém não conseguir pescar 1 peixe se passasse uns 20 minutos tentando. Diversão pura!
Meu pai estava sempre junto e sempre estusiasmado com as pescarias, mesmo quando elas não iam tão bem. Eu pesquei bastante, me diverti muito com isso e cresci acreditando que eu amava pescar. Porém, recentemente descobri que eu estava errado:
Eu não gosto de pescar.
A revelação não veio de uma vez. Tudo começou alguns anos atrás, quando meu pai comprou um terreno próximo a um lago enorme e começou a construir seu próprio sítio. Ter um lago daqueles perto de casa, é um sonho pra quem gosta de pescar!
Bem, assim que tive a primeira chance, eu e meu pai fomos pescar no lago. Não pegamos nenhum peixe, mas também não conhecíamos o lugar ainda. Certamente estávamos no “canto” errado. Nos fins de semana seguinte continuamos tentando, tentando, e nada.
Eventualmente pegávamos alguma coisa, mas era raro. Um belo dia, eu parei de ir no lago com meu pai e só ele continuou pescando… todos os fins de semana.
Ele vai de manhã para o lago e leva umas 2 ou 3 varas diferentes. Vários anzóis. Isca tirada no dia e um balde para colocar os peixes. Passa 3 ou 4 horas lá, todos os fins de semana, e quase sempre volta com o balde vazio (desculpe falar isso pai, mas é verdade). É realmente muito difícil pegar algum peixe ali.
Mas ele insiste. Continua indo todas as manhãs de sábado e domingo. Foi aí que eu percebi uma grande diferença entre eu e meu pai: meu pai gosta de pescar; eu gosto de tirar o peixe d’água. E pode parecer que não, mas são duas coisas bem diferentes.
Meu pai gosta do PROCESSO. Desde acordar cedo para preparar o equipamento, cavar a terra para buscar as iscas, ir até o lago, lançar os anzóis na água e esperar. Mexer de vez em quando na posição dos anzóis e tentar um lugar diferente, e depois de várias horas, levantar-se sem ter pego nenhum peixe, juntar tudo e ir pra casa, para voltar ao lago no dia seguinte. Meu pai simplesmente ama isso. Ele ama o processo de pescar.
Eu percebi que gostava do RESULTADO. Eu não gostava de acordar cedo para ir pescar. Também não gostava de preparar o equipamento… nem de esperar o peixe “beliscar”. Mas quando eu conseguia pescar um, era incrível! Uma sensação muito boa, que só fazia você querer permanecer ali, pescando mais e mais!
Não há nada de errado em gostar do PROCESSO de pescar. Muito menos gostar do RESULTADO de tirar o peixe d’água e levar pra casa. No entanto, isto me fez pensar.
Comecei a pensar em outros cenários, diferentes de pescarias. Por exemplo: uma empresa.
Nas empresas, ao contrário da pescaria, o tempo gasto na execução de um processo que não está gerando os melhores resultados custa caro. Se você tem muitas pessoas na sua organização que são mais motivadas pela execução do processo do que pelos resultados, cuidado porque você pode estar se tornando um órgão público!
Então, como as coisas acontecem na sua organização? O foco é no resultado? Ou o foco é no processo? O processo que está implantado é o que pode trazer os melhores resultados, dentro das limitações e da cultura da organização? Ou o resultado está sendo sacrificado em função do processo?
Foco no Resultado > Foco no Processo (exceto em pescarias!)
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